segunda-feira, 19 de junho de 2017

Jornalista que substitui Fátima Bernardes lembra passado miserável: ‘Chegava a disputar comida com os ratos



“Sou nascido na Bahia e criado no Rio Grande do Sul, sempre na favela. Era gago na infância. Adulto, fui pedreiro, vendedor ambulante, tentei trabalhar como segurança... Cheguei a ser morador de rua. Não dei certo como bandido porque tinha muito medo. Esse crachá aqui é da minha mãe, dona Ivonete. A ela eu devo tudo o que sou”. Assim apresenta-se Manoel Soares, que completa 37 anos de uma rica existência no próximo domingo, dia 18. Para ele, inferno astral é bobagem. Nesta quinta-feira (15), três dias antes de seu aniversário, o jornalista sobe mais um degrau na carreira: de repórter recém-contratado do “Encontro com Fátima Bernardes”, ele assume a apresentação do programa ao lado de Ana Furtado e Lair Renó na folga da chefe.
— Quando fui chamado para o programa, fiquei três dias com dor de barriga. Imagine agora o nervosismo! — entrega Manoel, contando que se espelha em Fátima: — A naturalidade dela, o jeito com que faz o jornalismo dialogar com o entretenimento, me encantam. Eu dizia: um dia ainda vou trabalhar com essa mulher. Agora, olho para Fátima e não consigo registrar. Ela ainda é um pouco virtual para mim.
Manoel sabe da responsabilidade pelo que conquistou:
— O mérito de eu estar aqui não é meu. É de Milton Gonçalves, Zezé Motta, Lázaro Ramos. Vem de pensadores acadêmicos, militantes sociais negros e periféricos que lutaram para isso. Ter a amizade de MV Bill, de Mano Brown, de gente que construiu minha formação como indivíduo, causou isso. Estou num programa de muita visibilidade, isso é muito forte para mim. Meu nervosismo, meu medo de viver esse momento não é pela fama. É que eu tenho noção do que está acontecendo, do que isso representa — discursa.
Selfie dos apresentadores: Fátima, Ana, Lair e Manoel
Inicialmente repórter da RBS, afiliada gaúcha da Rede Globo, por 15 anos, Manoel começou a fazer links para vários programas da emissora. E chegou ao “Profissão repórter”, com Caco Barcelos, em 2011. Em abril, ele assumiu a reportagem do "Encontro" em São Paulo, onde atuava Felipe Andreoli (que migrou para o "Esporte espetacular", ao lado de Fernanda Gentil).
— Profissionalmente, sempre tive a obsessão por diminuir a distância entre o morro e o asfalto, levar a televisão para a periferia. Vivia entre o lixo e o luxo. Pessoalmente, minha meta era tirar minha família da miséria absoluta, em que a gente chegava a disputar comida com os ratos — conta ele.
Mais do que nunca, o jornalista promete seguir os conselhos da sábia Ivonete:
— Quando soube da novidade, minha mãe me disse: “Vá lá e se comporte”. Sei bem do que ela está falando. Não tem a ver com a bronca maternal, mas com fazer o que precisa ser feito. Vou fazer, e com leveza. Nunca abrirei mão dos valores que trouxe de casa. Ela batalhou muito, abandonou meu pai para afastar meus irmãos e eu da violência doméstica. Ele terminou assassinado. O que eu faço hoje é pelos meus quatro filhos. Este é um momento novo para a minha família, mas não quero o peso de ser “o messias”, “o enviado”. Até porque eu preciso ser feliz.
FONTE: https://extra.globo.com/tv-e-lazer/jornalista-que-substitui-fatima-bernardes-lembra-passado-miseravel-chegava-disputar-comida-com-os-ratos-21480352.html

IV FEIRA DOS PREÇOS NEGÓCIOS

No automatic alt text available.

Cante e enfrente seus males.

No automatic alt text available.

Aprovada em mestrado na Suíça, tataraneta de escrava ressalta luta por educação: 'Mérito dos meus antepassados'

Tataravó de Mariana, de Campinas, foi escravizada até os 29 anos, e dedicou o restante da vida para que as futuras gerações tivessem acesso ao ensino.


Mariana foi aprovada para mestrado na Suíça (Foto: Arquivo pessoal)

A história da família da jornalista Mariana Alves Tavares, de Campinas (SP), pode se resumir à palavra educação. Filha de um vendedor e uma recepcionista, neta de professor, bisneta de funcionária pública e tataraneta de escrava, a jovem, de 24 anos, foi aprovada para o mestrado em antropologia e sociologia do desenvolvimento em universidade de Genebra, na Suíça, e será a primeira geração a sair do Brasil para estudar e contar a história da família.

“Eu considero que os méritos do que eu estou tendo hoje são mais méritos dos meus antepassados do que meus. Eles lutaram para transpor as barreiras históricas raciais e sociais para que eu tivesse a oportunidade que eu tenho hoje”, diz Mariana.
A jovem trabalhou na Organização das Nações Unidas (ONU), em Brasília (DF), e já esteve em Genebra para dividir experiências com afrodescendentes de diferentes países. Com toda a bagagem e o que ainda está por vir, Mariana diz que a intenção é olhar para o Brasil de forma a entender por que questões raciais ainda interferem na evolução do país.
“Não dá para desenvolver um país desenvolvendo uma parcela pequena da sociedade, quando a maioria populacional é considerada minoria em acesso aos direitos”, afirma.
Sua tataravó, Sebastiana Sylvestre Correa, nasceu em 1859, em Minas Gerais. Ela foi escravizada até os 29 anos, quando a Lei Áurea a alforriou em 1888. Mãe de oito filhos, Sebastiana nunca aprendeu a ler ou escrever, mas lutou para que suas futuras gerações tivessem acesso à educação.
“A minha bisavó e as irmãs dela ganharam bolsas de estudos e conseguiram estudar. Ela [tataravó] tem um nome, um sobrenome. Ela foi muito mais do que isso, não apenas uma ex-escrava”, exalta Mariana.

Sebastiana Sylvestre Correa, tataravó de Mariana (Foto: Arquivo pessoal)
Sebastiana Sylvestre Correa, tataravó de Mariana (Foto: Arquivo pessoal)

Campanha para a viagem

Com duração de dois anos, o mestrado no Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais (Graduate Institute of International and Development Studies, em inglês), previsto para começar em setembro, tem um valor aproximado de R$ 13,5 mil por semestre. Mariana recebeu bolsa de 75% para a mensalidade [leia mais abaixo], além de auxílio integral dos custos de vida na Suíça.
A família da jovem não consegue bancar as despesas restantes, que seriam em torno de R$ 10 mil para o primeiro ano de estudos. Ela criou, então, a campanha “Mestrado da Mariana no Graduate Institute” em uma plataforma de financiamento coletivo, onde já superou o valor pedido para bancar, além das taxas da universidade, uma passagem só de ida à Genebra.
“O valor que eu ganhar a mais vai cobrir essa diferença de câmbio, e também vai me ajudar a ter um dinheiro emergencial, porque o valor que eu coloquei não me dá nenhuma margem de erro”, explica.
Mariana Alves Tavares, de Campinas, é tataraneta de escravos (Foto: Arquivo pessoal)

Estágio na ONU

Antes de chegar ao mestrado na Suíça, no último ano do curso de jornalismo na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP), a então estudante foi aprovada em um estágio no Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) em uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), em Brasília, e se mudou para o Distrito Federal.
Neste período, faltando um semestre para a conclusão da faculdade, ela precisou conciliar o trabalho na capital do país com os últimos projetos universitários, além do tempo dedicado à venda de semijoias para complementar a renda.
“Eu sabia que a condição financeira da minha família de arcar com os custos de viver em Brasília, que é uma das cidades mais caras do país, seria algo complicado [...] Foi um esforço [vender joias], mas que não atrapalhava a minha dedicação no estágio, que era algo que eu levava como uma oportunidade para a minha família”, relembra Mariana.
No fim de 2015, a jornalista recém-formada foi contratada por outra agência da ONU em Brasília, onde trabalhou por cerca de mais um ano.

“Trabalhar na ONU foi uma experiência incrível. Eu escolhi jornalismo porque me interessa muito o papel que a comunicação pode exercer na vida das pessoas [...] Isso me fez ter certeza da carreira que eu quero seguir, de trabalhar com direitos humanos”, afirma Mariana.
Mariana em visita à sede da ONU, em Genebra (Foto: Arquivo pessoal)
Mariana em visita à sede da ONU, em Genebra (Foto: Arquivo pessoal)

Experiência na Suíça

No período que viveu em Brasília, Mariana se inscreveu para o Fellowship for People of African Descent, programa da ONU que oferece aos participantes a oportunidade de fazer uma apresentação sobre questões como direitos civis, políticos e sociais de pessoas afrodescendentes de seus respectivos países.
Aprovada, surgiu assim a primeira oportunidade de Mariana visitar a Suíça, em novembro do ano passado.
“Era uma apresentação aberta na sede da ONU para todos os funcionários das Nações Unidas. Essa pressão de falar sobre um tema envolvendo algo sobre o seu país, além de tudo em inglês, era uma coisa que me trazia muito medo, porque era um peso muito grande”, relembra.

Mariana, quarta da esquerda para a direita, durante encontro com participantes do Fellowship (Foto: OHCHR)
Mariana, quarta da esquerda para a direita, durante encontro com participantes do Fellowship (Foto: OHCHR)

Orgulho

A maneira que ela encontrou para encarar a apresentação foi contando a trajetória de sua família.
“Uma família afro-brasileira com dedicação à educação e [contei] como, através dessa educação, a gente teve as oportunidades de acessos aos espaços que a gente tem hoje, mas que infelizmente essa realidade não representa o todo do país, porque o Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo”, diz Mariana.
Da mesma maneira, em duas cartas, ela contou sua história para ingressar na Graduate e conseguir as bolsas para se manter na Suíça.
“Em uma delas eu falei sobre a minha experiência na ONU e por que eu queria fazer o mestrado no Graduate com foco em antropologia e sociologia do desenvolvimento. Na outra carta eu tinha que falar por que eu precisava de apoio financeiro da universidade, e foi nessa que eu contei a história da trajetória da minha família e do por que eu estava tendo essa oportunidade que eu sonho em ter”, conta.
Em 1959, Correio Popular, de Campinas, contou a história da tataravó de Mariana, Sebastiana (Foto: Arquivo pessoal)

Aplicando a mudança

Ela conta que tentou desde cedo não se deixar abalar pelo racismo, mas relata que vivenciou momentos que a fazem acreditar que, mesmo com o fim da escravidão, o Brasil ainda não passou por uma “mudança efetiva quando se trata da questão afrodescendente”.
“Uma pessoa afrodescendente no Brasil é cerceada de inúmeros direitos [...] Ainda há muita desigualdade, ainda há muita discriminação no dia a dia, no trabalho, nos estudos, na saúde, na política”, diz Mariana.
Aguardando a chegada do visto, ela planeja seguir carreira dentro das Nações Unidas, onde, no futuro, quer trabalhar com cooperação e desenvolvimento internacional.
“Eu considero que o desenvolvimento de um país está muito além da questão política e econômica. Existem ainda questões culturais, históricas e sociais que interferem tanto quanto no desenvolvimento daquele local [...] Isso é um dos fatores do porquê eu escolhi esse curso”, finaliza.

FONTE: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/aprovada-em-mestrado-na-suica-tataraneta-de-escravos-ressalta-luta-por-educacao-merito-dos-meus-antepassados.ghtml

domingo, 11 de junho de 2017

STF declara constitucionalidade da Lei de Cotas no serviço público federal

STF declara constitucionalidade da Lei de Cotas no serviço público federal

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão desta quinta-feira (8) o julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 41 e reconheceu a validade da Lei 12.990/2014, que reserva 20% das vagas oferecidas em concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal direta e indireta, no âmbito dos Três Poderes. A decisão foi unânime.
O julgamento teve início em maio, quando o relator, ministro Luís Roberto Barroso, votou pela constitucionalidade da norma. Ele considerou, entre outros fundamentos, que a lei é motivada por um dever de reparação histórica decorrente da escravidão e de um racismo estrutural existente na sociedade brasileira. Acompanharam o relator, naquela sessão, os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rosa Weber e Luiz Fux.
Na sequência do julgamento na sessão desta quinta (8), o ministro Dias Toffoli lembrou, em seu voto, que quando exercia a função de advogado-geral da União, já se manifestou pela compatibilidade de ações afirmativas – como a norma em questão – com o princípio da igualdade. Para o ministro, mais do que compatível com a Constituição, trata-se mesmo de uma exigência do texto maior, em decorrência do princípio da isonomia prevista no caput do artigo 5º.
Esse entendimento, inclusive, prosseguiu o ministro, está em sintonia com a jurisprudência do STF, que já confirmou a constitucionalidade da instituição da reserva de vaga para portador de deficiência física, bem como a constitucionalidade do sistema de cotas para acesso ao ensino superior público.
O ministro explicou, contudo, que seu voto restringe os efeitos da decisão para os casos de provimento por concurso público, em todos os órgãos dos Três Poderes da União, não se estendendo para os Estados, Distrito Federal e municípios, uma vez que a lei se destina a concursos públicos na administração direta e indireta da União, e deve ser respeitada a autonomia dos entes federados.
O julgamento do Supremo na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, quando foi confirmada a constitucionalidade do sistema de cotas raciais para ingresso nas universidades públicas, foi citada pelo ministro Ricardo Lewandowski em seu voto. Ele recordou que em sua gestão à frente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi editada a Resolução 203/2015, que reservava 20% de vagas para os negros no âmbito do Poder Judiciário. A resolução levou em conta, segundo ele, o primeiro censo do Judiciário realizado pelo Conselho, que apontou que apenas 1,4% dos juízes brasileiros se declararam negros, e apenas 14% pardos, dados que divergiam dos números do censo demográfico brasileiro de 2010, do IBGE, segundo o qual o percentual da população brasileira que se declarou negra foi de 7,6% e parda 43,1%.
O ministro Marco Aurélio revelou que, nos anos de 2001 e 2002, quando ocupou a presidência do STF, e diante de quadro que persiste até os dias atuais, determinou que fosse inserida em edital para contratação de prestadores de serviço a exigência de reserva de 30% das vagas para prestação de serviços por negros. Para o ministro, uma sociedade justa e solidária repousa no tratamento igualitário, mas é notória a falta de oportunidade para os negros, frisou o ministro, concordando que as estatísticas sobre a questão são vergonhosas.
O decano do Supremo, ministro Celso de Mello, iniciou seu voto citando a história do advogado Luiz Gama (1830-1882), que ficou conhecido como advogado dos escravos, para demonstrar “como tem sido longa a trajetória de luta das pessoas negras em nosso país na busca não só de sua emancipação jurídica, como ocorreu no século XIX, mas de sua emancipação social e de sua justa, legítima e necessária inclusão”.

Filhas de angolano sofrem agressão racista em Joinville



As duas crianças vinham sendo sistematicamente ofendidas por vizinha de Domingos Amândio Eduardo, angolano que é pastor da igreja Aliança AMPC Internacional.
Domingo, dia 17 de julho. Ironicamente, um dia após a realização da primeira Marcha da Negritude Catarinense, Domingos Amândio Eduardo, é acordado com os gritos de sua esposa, Raquel Iara Longhi Eduardo. Ela berrava com a vizinha.
Após se levantar para saber o que estava acontecendo, Domingos presenciou o que sua sobrinha, Suzana Mateus, já havia relatado meses atrás. Sua vizinha Dinorá, do bairro João Costa, Zona Sul de Joinville, havia proferido diversas ofensas racistas às suas duas filhas pequenas que brincavam na rua, aproveitando o dia de folga dos estudos.
img_0094
Domingos finalmente tomou uma atitude para o caso. (Foto: Arquivo pessoal)
Domingos é angolano e está em Joinville há cerca de dois anos. Pastor da Igreja Aliança AMPC Internacional e estudante de Direito, já havia experimentado o racismo à brasileira em algumas situações, mas sempre procurou relevar e seguir adiante. Mas ao se deparar com a cena de sua vizinha proferindo duras palavras contra suas pequenas filhas e percebendo as consequências e desdobramentos que toda essa situação causou nas vidas das meninas e de toda a sua família, Domingos decidiu tomar uma atitude.
Primeiramente, junto com sua companheira, entraram em contato com a vizinha para resolver a situação de maneira civilizada. Inutilmente. Desta vez, além de ouvirem a senhora repetir as ofensas, ainda foram ofendidos. Conhecendo as leis brasileiras e sabendo que racismo é crime, decidiram acionar a polícia para registrar o boletim de ocorrência.
Devido a demora da chegada dos policiais, Domingos e Raquel se dirigiram à delegacia para registrarem a queixa. Em casa, esperando os policiais, ficou a prima de Domingos, Palmira Kalembela, também angolana. Cerca de duas horas depois de serem acionados, os policiais chegaram a casa, mas ao invés de tomarem o depoimento sobre o ocorrido, trataram de constranger Palmira, perguntando-a, inicialmente, se eles estavam legalmente no Brasil.
Posteriormente, ameaçaram Palmira, caso ela estivesse mentindo sobre a legalidade deles em terras tupiniquins. Como se não bastasse o despreparo e o desdém com o caso, não entraram em contato com a responsável pela agressão a duas crianças.
Ao voltarem para a casa e ouvirem o relato de Palmira, Domingos e Raquel decidiram tornar público o ocorrido para buscar ajuda com pessoas que realmente se sensibilizassem pelo ocorrido e os ajudassem a conseguir fazer a justiça. Ao entrar em contato com o Movimento Negro Unificado, Domingos foi orientado a procurar a Defensoria Pública e dar continuidade no processo. Também foi orientado a pedir ajuda para o movimento negro de Joinville, para obter suporte de forma mais rápida.
Foi então que Domingos entrou em contato com o Movimento Negro Maria Laura para contar um pouco do sofrimento enfrentado por ele e suas filhas ao se depararem com o racismo.
Em estabelecimentos comercias, na escola, na igreja, na polícia, na rua de casa, no mercado de trabalho… A lista de setores em que já sofreu com o preconceito é grande e impressiona Domingos, que está aprendendo as artimanhas e cada de detalhe do racismo institucional brasileiro.
Em outro momento, Domingos recorda de outro caso de racismo que enfrentou na cidade. Em uma manhã do mês de março, ao passear em um shopping de Joinville com a família, ao passar em frente a uma joalheria, logo atrás da esposa e das filhas, Domingos parou para ver algumas das joias que estavam na vitrine. No momento em que passou pela porta, uma das atendentes fechou a porta. Perplexo, Domingos permaneceu imóvel durante alguns segundos, descrente do que havia ocorrido. Não obteve nenhum pedido de espera ou explicação por parte da atendente. Simplesmente a porta fechada.
Domingos procurou a administração do shopping e ao entrar em contato com um dos seguranças, recebeu a resposta de que o estabelecimento em questão tinha essa prática todas as vezes que estavam mexendo com o dinheiro do caixa. Em outra oportunidade, no mesmo horário, Domingos decidiu fazer um teste, enviando sua esposa, que é branca, para perceberem se era mesmo o caso da política da loja. Ao contrário do que aconteceu com o marido, Raquel foi bem atendida e não teve a porta fechada.
Depois de vivenciar todas essas situações, o angolano, pai de duas filhas, busca, junto da sua esposa, justiça para os dois casos. Domingos pretende continuar e intensificar sua luta pelo combate ao racismo em Joinville.

FONTE: http://www.ceert.org.br/noticias/genero-mulher/13487/filhas-de-angolano-sofrem-agressao-racista-em-joinville

Aluno da Medicina concorre a prêmio da Unesco com projeto para reduzir mortes de crianças por malária, na África

Louison%20Mbombo.jpg

O aluno do 5º período de medicina Louison Mbombo participa da Youth Citizen Entrepreneurship Competition, da Unesco, com trabalho de prevenção às mortes de crianças por malária, na República Democrática do Congo.
O projeto Preventing childhood malaria death in rural Gungu, Democratic Republic of Congo foi desenvolvido por ele e pelos integrantes da ONG Solidariedade na Mokili, fundada pelo estudante em 2016.
Louison destaca que Gungu foi escolhida por ser a cidade mais pobre do país e que a ONG tem o objetivo também de capacitar pessoas para erradicar a pobreza. “A malária é uma doença tratável e que pode ser evitada. No entanto, uma população pobre como a do Congo não consegue ter acesso a um tratamento adequado. A maior pretensão do projeto é fornecer o antimalária e outros medicamentos, gratuitamente, nos postos de saúde de Gungu. Minha inspiração foi o Sistema Único da Saúde do Brasil”, ele conta.
A iniciativa visa oferecer curso gratuito para 100 pessoas da comunidade de Gungu – que aprenderão a diagnosticar a malária e a procurar ajuda especializada – e fornecer mosquiteiros a 15 mil famílias. Louison Mbombo prevê que seu projeto poderá reduzir em até 70% o índice de mortalidade infantil por malária na cidade, em 24 meses.

Do Brasil para o Congo
O estudante congolês mudou-se para o Brasil em 2013, por causa da instabilidade política em seu país. Mas nunca esqueceu o Congo e as pessoas que vivem lá e precisam de ajuda. “Eu quero ser capaz de mudar a situação da saúde no meu país. A saúde é paga, e o povo não tem dinheiro para se cuidar. Pretendo usar minha experiência aqui no Brasil com o SUS para mudar essa realidade”, planeja.

ONG Solidariedade na Mokili, com sede em Gungu, conta com médicos, juízes e outros profissionais locais, que promovem cursos profissionalizantes para mulheres em situação de risco. O objetivo é estimular a geração de renda e, consequentemente, garantir um futuro melhor para as crianças. O projeto inscrito no concurso da Unesco é apenas um entre os diversos trabalhos desenvolvidos pela ONG.

Empreendedorismo cidadão
A Youth Citizen Entrepreneurship Competition mobiliza jovens empreendedores (15 a 35 anos) em todo o mundo para submeter ideias e projetos inovadores que tenham impacto social e sejam adequados a uma ou mais das 17 metas de desenvolvimento sustentável da ONU. A submissão de projetos para a competição pode ser feita até 31 de julho.

Os 10 finalistas serão selecionados em setembro, com base em critérios como envolvimento do participante durante o processo e engajamento da comunidade com o projeto participante, por meio de comentários e votos. Um júri vai escolher os três melhores projetos para a premiação do concurso em Berlim, na Alemanha. Além do reconhecimento internacional, os vencedores poderão receber financiamento para pôr seus projetos em prática.
O projeto Preventing childhood malaria death rural Gungu, Democratic Republic of Congo, pode ser votado e comentado até 31 de julho, na página do prêmio.

FONTE: https://www.ufmg.br/online/arquivos/047764.shtml