terça-feira, 16 de abril de 2013

Chefe da diplomacia do Brasil admite eleições na Guiné-Bissau até final de 2013.


A Guiné-Bissau necessita de apoio internacional e existe a perspetiva da organização de eleições até ao final de 2013, disse hoje em Lisboa o chefe da diplomacia do Brasil, António Patriota.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
“Sendo um país com uma população relativamente pequena, a comunidade internacional tem uma responsabilidade de ajudar e pode fazer toda a diferença”, referiu António Patriota, que hoje efetuou uma visita oficial ao país.
“Foi nesse espírito que nós conversámos sobre o futuro da Guiné-Bissau, na perspetiva inclusive da organização de eleições até ao fim deste ano”, frisou o ministro brasileiro durante uma conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo Paulo Portas no Palácio das Necessidades.
O chefe da diplomacia de Brasília revelou ter mantido quarta-feira, no aeroporto da cidade da Praia, em Cabo Verde, contactos com Ramos Horta, alto representante do secretário-geral das Nações Unidas para a Guiné-Bissau e prémio Nobel da Paz, para além dos encontros com representantes da União Africana e com o secretário executivo da CPLP Isaac Murargy “que foi embaixador de Moçambique no Brasil”, como sublinhou.
“Hoje também conversámos bastante sobre a Guiné-Bissau, acho muito importante que as estratégias que sejam desenvolvidas pela Cedeao, a comunidade dos países da África ocidental, pela CPLP, UA e como guarda-chuva global o Conselho de Segurança das Nações Unidas, se fortaleçam mutuamente”, adiantou António Patriota.
Apesar de admitir que já ocorreu “alguma dissonância entre um grupo e outro” sobre a situação na Guiné-Bissau, o responsável brasileiro assegurou que os contactos de ontem foram “promissores e encorajadores” para a concretização de uma “convergência de facto” que atue em três áreas que considerou decisivas e para as quais o país africano necessita de apoio internacional.
“A questão institucional, do retorno à plena vigência democrática, a questão da segurança, que envolve a estabilização do país, e a questão do desenvolvimento económico e social sem o qual as duas outras agendas continuarão a enfrentar percalços sérios”, especificou.
Ao pronunciar-se sobre esta questão, Paulo Portas optou por destacar a “posição de grande cooperação” de Portugal e do Brasil na CPLP para “poder ajudar o povo da Guiné-Bissau a poder viver com instituições e a ter direito a viver em democracia e em paz”.
Após referir os insistentes contactos com “várias organizações internacionais e regionais relevantes”, Portas destacou a importância do Brasil neste contexto.
“A Presidente Dilma esteve recentemente na cimeira Brasil-África, conhecem a importância dos países africanos para nós e devo dizer que temos trabalhado para uma política inclusiva que permita o respeito pelas instituições e que os guineenses da Guiné-Bissau possam ter o direito de viver em paz. Isso significa que a comunidade internacional tem de se empenhar e ajudar”, referiu.

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