sexta-feira, 18 de abril de 2014

‘Mais Médicos’ beneficia saúde da população negra

É o que acredita a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, segundo a qual a atuação dos profissionais do Programa trouxe avanços para a saúde dos segmentos até então desprovidos desses serviços. A chefe da SEPPIR participou ontem (16/04), em Salvador, de recepção a 47 novos profissionais, que somados aos que já estão em atividade na Bahia, passam a beneficiar quase 4 milhões de baianos
‘Mais Médicos’ beneficia saúde da população negra
O reforço desse grupo garante o cumprimento da meta estabelecida pelo governo federal de levar 13.235 médicos para a atenção básica, especialmente às regiões mais vulneráveis do país

Na opinião da ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, a população negra brasileira - cerca de 100 milhões de pessoas - é a parcela mais favorecida com a implantação do Programa Mais Médicos, do Ministério da Saúde. De acordo com a chefe da SEPPIR, a iniciativa do governo federal instalou um novo modelo de atendimento básico, que vem provocando alterações nas informações e dados sobre a saúde no país, justamente porque alcança segmentos que não tinham acesso a serviços de saúde.

“Os índices de atendimento a hipertensos e diabéticos cresceu 27,3% e 14,4%, respectivamente, depois do Programa Mais Médicos. É um sinal de que algo estava errado no serviço prestado a pessoas com enfermidades relacionadas principalmente às pessoas negras, que representam quase 51% da população”, assegurou a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, ontem (16/04), em Salvador. Ela participou da recepção a 47 novos profissionais que reforçarão o atendimento em atenção básica na Bahia. “O Mais Médicos traz o direito à saúde a muitos que antes não tinham acesso a profissionais médicos”, disse.

Em todo o país, mais de 3.500 médicos começam suas atividades nos municípios a partir desta semana. Deste total, 253 estão alocados na região Nordeste. Eles foram aprovados no módulo de avaliação do programa, etapa obrigatória para que recebam o registro profissional provisório e iniciem o atendimento à população.

O reforço desse grupo garante o cumprimento da meta estabelecida pelo governo federal de levar 13.235 médicos para a atenção básica, especialmente às regiões mais vulneráveis. Com isso, 100% das vagas apontadas pelos municípios que inicialmente aderiram ao Programa passam a ser atendidas.

“Em todos os lugares que passei, vi cenas como esta: dezenas, centenas de profissionais médicos vindos de diferentes países, se unindo em torno de um mesmo projeto, numa aliança solidária entre os países, principalmente entre Brasil e Cuba, pelo fortalecimento da questão da saúde e, principalmente, no intuito de levar saúde aos mais humildes”, afirmou o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, André Bonifácio, que esta semana, antes da Bahia, participou de solenidades semelhantes no Ceará, Rondônia e Amazonas.

Meta
O secretário da Saúde do Estado, Washington Couto, informou que com a conclusão do quinto ciclo de acolhimento a médicos do Programa, o Estado atinge a meta de quase 1,4 mil profissionais, impactando na assistência a cerca de cinco milhões de baianos em mais de 360 dos 417 municípios do Estado. “Com as duas políticas juntas, o ‘Mais Médicos’ e o Provab (Programa de Valorização da Atenção Básica), somam-se mais de 1,6 mil novos médicos, atingindo quase 90% da população do estado, incluindo distritos sanitários indígenas”, afirmou Couto.

Mais de 75% dos 13.235 médicos estão alocados em regiões como o semiárido nordestino, periferia de grandes centros, municípios com IDHM baixo ou muito baixo e regiões com população quilombola, entre outros critérios de vulnerabilidade. Em relação à distribuição por região, o Sudeste e o Nordeste concentram o maior número de profissionais, com 4.170 e 4.147 médicos respectivamente. O Sul conta com 2.261, seguido do Norte (1.764) e do Centro-Oeste (893). Outros 305 médicos estão atuando em distritos indígenas.

Desde o início do programa, a presença dos profissionais que estão em atuação em todo o país já traz resultados positivos na assistência à população. Um levantamento do Ministério da Saúde feito em municípios que receberam profissionais do Mais Médicos mostrou que, em novembro de 2013, houve um crescimento de 27,3% no atendimento a pessoas com hipertensão em comparação com o mês de junho do mesmo ano, antes da chegada dos profissionais.

Houve aumento ainda, neste mesmo período, de 14,4% na assistência a pessoas com diabetes, de 13,2% no número de pacientes em acompanhamento e de 10,3% no agendamento de consultas. Nas cidades que contavam com médicos do programa foram realizadas 2,28 milhões de consultas em novembro, 7% mais que o total registrado em junho. O levantamento foi feito em 688 municípios onde atuavam 1.592 médicos.

Nova oportunidade
Com o quinto ciclo, anunciado pelo Ministério da Saúde no dia 1º de abril, o Programa Mais Médicos deverá ultrapassar a marca de 14 mil médicos para a atenção básica de todo o país, superando a meta estabelecida pelo governo federal. Com a atuação desses profissionais, a iniciativa, que já impacta na assistência de 45,6 milhões de pessoas, passa a beneficiar 49 milhões de brasileiros.

A ampliação do número de médicos foi possível a partir da adesão nesta nova etapa, direcionada aos municípios mais vulneráveis do País e que ainda apresentavam equipes de saúde da família sem médicos. Com isso, mais vagas serão preenchidas com médicos do Programa, além dos mais de 13 mil profissionais que já estão participando.

Ainda está em andamento a seleção de médicos para participação no quinto ciclo, mas a previsão é que em junho eles já estejam em atividade nos municípios. Como nas demais etapas do Programa, têm prioridade nas vagas os médicos formados no Brasil, seguidos dos brasileiros com diplomas do exterior e dos estrangeiros. As vagas ociosas serão completadas por médicos da cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde.

Entre os critérios de vulnerabilidade utilizados para pré-selecionar os municípios do quinto ciclo estão ter 20% ou mais da população em situação de extrema pobreza; ter IDHM baixo e muito baixo; com comunidades quilombolas ou assentamentos rurais; e as regiões dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Ribeira; do Semiárido; e as periferias de grandes cidades.

O programa
Lançado em julho de 2013 pela presidenta Dilma Rousseff, o Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS, com o objetivo de aperfeiçoar a formação de médicos na Atenção Básica, ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país e acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde.

Os profissionais do programa cursam especialização em atenção básica, com acompanhamento de tutores e supervisores. Para participar da iniciativa, eles recebem bolsa formação de R$ 10,4 mil por mês e ajuda de custo pagos pelo Ministério da Saúde. Em contrapartida, os municípios ficam responsáveis por garantir alimentação e moradia aos participantes.

Além da ampliação imediata da assistência em atenção básica, o Mais Médicos prevê ações estruturantes voltadas à expansão e descentralização da formação médica no Brasil. Até 2018, serão criadas 11,4 mil novas vagas de graduação em Medicina e mais de 12 mil novas vagas de residência médica

FONTE: http://www.seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2014/04/2018mais-medicos2019-beneficia-saude-da-populacao-negra

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