domingo, 6 de abril de 2014

Segunda geração de cabo-verdianos na Europa vive em situação precária - estudo

 O estudo sobre a “Emigração” apresentado hoje, na Cidade da Praia, revela que a segunda geração de cabo-verdianos na Europa vive em situações precárias a nível social e económica em países como Portugal, França e Itália
 Segundo António da Graça, consultor do estudo sobre a “Segunda geração de cabo-verdianos na Europa e o reforço dos seus laços com Cabo Verde”, muitos desses cabo-verdianos estão a viver em situação muito pior do que os pais que emigram há vários anos.
“O estudo aponta que existem diversas categorias de descendentes de cabo-verdianos”, disse António da Graça, afirmando que a “hungulidade social” dos descendentes é “bastante expressiva” sobretudo em Portugal, Itália e França, mas “não conseguiu atingir um determinado nível” de formação escolar e profissional igual à dos pais.
O especialista afirmou que existem também casos de sucesso, em que jovens investiram nos estudos e conseguiram atingir um nível superior à profissão dos pais, embora muitos desses descendentes passaram por um sistema selectivo.
Segundo o especialista, nos países como França e Holanda o sistema liceal é “extremamente selectivo”, em que os descendentes de grupos étnicos são orientados pela categoria dos liceus mais baixo.
“Cerca de 50 a 70 por cento dos descendentes cabo-verdianos estão na categoria intermédia, com nível profissional técnico médio ou baixo”, acrescentou.
Segundo António da Graça, os resultados do estudo demonstram que a relação entre os descendentes e Cabo Verde é baseada em raízes culturais diversas, ou seja, existem aqueles que não se identificam como “cabo-verdianos em si”, outros identificam-se como cabo-verdianos, mas tem uma relação funcional, e há aqueles que se identificam de forma “muito clara” que são cabo-verdianos e querem contribuir para o desenvolvimento do país.
O estudo recomenda um apoio às lideranças associativas na Europa no sentido de se desenvolver uma “nova visão estratégica, reflexão, reestruturação, capacitação e reorganização do associativismo” nesses países como forma de fazer cumprir o seu papel, sobretudo de integração dos jovens de segunda geração no país de sua naturalidade e em Cabo Verde.
Segundo o especialista, é necessário assumir um novo paradigma estratégico de abordagem, sensibilização e aproveitamento das potencialidades dos jovens que leve em conta a especificidade, aspirações e interesses dessa camada no que se referente à sua relação com Cabo Verde.
Conforme adianta o especialista, o estudo foi muito limitado, tendo em conta que decorreu durante três meses. 
Mas foram recolhidos dados empíricos de “grande importância” e que dão uma ideia sobre o grau de formação, a posição no mercado de trabalho, a identificação com Cabo Verde e indicadores de reforço dos laços da geração dos descendentes de cabo-verdianos da segunda geração.
“O estudo foi efectuado em países onde existe uma maior concentração de cabo-verdianos nomeadamente França, Holanda, Portugal e Itália”, frisou, acrescentando que actualmente existe um fluxo de migração dos descendentes de Portugal para outros países europeus.
O projecto foi elaborado no âmbito do projecto “Fortalecimento das Capacidades” do Ministério das Comunidades para a promoção de uma efectiva gestão das migrações e de reforço dos laços com a diáspora e foi financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento, com o apoio das Nações Unidas e Organização Internacional das Migrações em Cabo Verde e o escritório da OIM em Dakar Senegal.
FONTE: https://www.inforpress.publ.cv/sociedade-mlt/95213-segunda-geracao-de-cabo-verdianos-na-europa-vive-em-situacao-precaria-estudo

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