quinta-feira, 29 de maio de 2014

Conferência África em Ascensão FMI

Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi o centro das atenções ao início da noite desta quarta-feira, na sala de eventos do Hotel Polana, no centro de Maputo em Moçambique, onde discursou no início da conferência África em ascensão, organizada pelo FMI e que decorre em Maputo nos dias 29 e 30 de Maio. 
Recordando o último evento desta dimensão, que ocorreu na Tanzânia em 2009, e onde foi discutida a forma de proteger o continente africano da crise financeira que rebentou nos EUA, Lagarde assinalou que “muito foi feito” dessa altura.
Falando para os presentes na sala, altos representantes dos países da África subsaariana, afirmou, na sessão de boas-vindas, que estes “geriram melhor a crise [financeira] do que muitas das economias avançadas”, frase que foi recebida com vários acenos de cabeça, em concordância, devido às políticas e medidas macroeconômicas implementadas, gerando taxas de crescimento econômico “apenas comparáveis às de alguns países asiáticos”.
 “Os próximos passos que têm de ser dados passam por, com base no crescimento alcançado, garantir que ele é inclusivo e sustentável”, sublinhou Lagarde.
Para a diretora-geral do FMI, conforme um comunicado divulgado por esta instituição, a pobreza extrema em África ainda é demasiado elevada e há novos desafios colocados pela economia global, como a desaceleração do crescimento chinês, “Agora é o momento de olhar para as políticas que irão conduzir a região para o próximo nível do seu desafio econômico”, segundo Lagarde, este encontro é o momento certo “para comparar apontamentos”, e onde os participantes “devem ouvir-se uns aos outros e dialogar”. A ideia, disse, não é haver “paternalismos”, nem pretender que o FMI sabe “mais do que os outros”, mas antes perceber como é possível “trabalhar em conjunto”. “O FMI estará ao vosso lado para ajudar, para fornecer o apoio técnico que for necessário”, garantiu.
De acordo com os dados do FMI, o crescimento da África subsaariana deverá atingir os 5,4% este ano e chegar aos 5,5% em 2015, excluindo a África do Sul, os números passam para os 6,5%.
Em termos gerais, a África subsaariana é uma região onde há crescimento econômico, mas este é suportado pelos crescimentos naturais, com destaque para o petróleo. Onde os grandes projetos impulsionam o Produto Interno Bruto mas criam poucos empregos.
Sobre Moçambique, Lagarde, que se reuniu com o Presidente da República, Armando Guebuza, realçou a necessidade da transparência numa fase em que Moçambique começa a tirar os primeiros proveitos dos seus recursos naturais, como o carvão e o gás natural.
Pela conferência África em ascensão irão passar mais de 300 participantes, desde ministros das Finanças de países africanos e governadores de bancos centrais, passando por representantes de países como a China (grande cliente de recursos naturais e fornecedor de avultados empréstimos) e de empresas privadas, financeiras e não financeiras, até responsáveis de ONG.
Entre os oradores estão personalidades como Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, Peter Sands, presidente executivo do Standard Bank, Wang Yong, vice-presidente do Fundo de Desenvolvimento China-África, e Luciano Siani, administrador financeiro da Vale, empresa brasileira de mineração.
FONTE: http://www.ultimasonline.com/index.php/mundo/10966-conferencia-africa-em-ascensao-fmi

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