domingo, 20 de julho de 2014

Um ‘Luz para Todos’ africano... Iniciativa brasileira serve de modelo para ampliar o acesso à energia na África

Com apenas 30% da população da África subsaariana com acesso a energia, o desafio dos países da região é levar a eletricidade ao restante da população sem acesso a energia, principalmente nas zonas rurais. O modelo para mudar o cenário elétrico africano pode sair do Brasil. O quinto maior país do mundo em extensão territorial tinha em 2003 a necessidade de levar energia para regiões remotas e zonas rurais, sobretudo nas regiões norte e nordeste. O programa brasileiro ‘Luz Para Todos’, tornou-se um exemplo de inclusão à energia elétrica para o mundo.
Morador da Ilha da Marambaia, Rio de Janeiro contemplado com 'Luz Para Todos'  Foto: PAC 2/Flickr
Morador da Ilha da Marambaia, Rio de Janeiro contemplado com ‘Luz Para Todos’
Foto: PAC 2/Flickr
De acordo com o Ministério de Minas e Energia do Brasil, ao longo de uma década de funcionamento, o programa atendeu mais de três milhões de famílias e beneficia 15,2 milhões de brasileiros. Envolvendo as esferas federal, estadual e municipal, além das concessionárias de energia elétrica e permissionárias de eletrificação rural, os investimentos alcançaram cerca de US$ 10 bilhões em dez anos.
Ampliado em 2011, a meta agora é atender as famílias que ainda estão sem energia elétrica, identificadas pelo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A maioria está no norte do país, em áreas indígenas e quilombolas ou em comunidades pobres e somam cerca de 250 mil famílias. Os participantes do Luz para Todos recebem energia de graça ou pagam tarifa social.
Durante a comemoração dos 10 anos do programa em novembro de 2013, o ministério divulgou uma pesquisa realizada com 3 mil pessoas beneficiadas pelo programa. Desses, 81% compraram televisores, 78% adquiriram geladeiras, 62% compraram aparelhos telefônicos e celulares e 93% afirmaram que a qualidade de vida melhorou com o acesso à energia.
Nas áreas mais remotas, o governo brasileiro faz o uso de fontes alternativas de energia. “Dentre as opções tecnológicas, são considerados os sistemas de geração descentralizada a partir das mini e microcentrais hidrelétricas; sistemas hidrocinéticos; usinas térmicas a biocombustíveis ou gás natural; usina solar fotovoltaica; torres eólicas para captar a força dos ventos; e sistemas híbridos”, afirma nota do Ministério brasileiro de Minas e Energia.
Em regiões remotas a energia solar é aliada dos moradores Foto: PAC2/Flickr
Em regiões remotas a energia solar é aliada dos moradores
Foto: PAC2/Flickr
Outra inovação foi o investimento em pesquisas para obter opção aos tradicionais postes de concreto. Entre as soluções está a criação de postes feitos com resina de poliéster reforçada com fibra de vidro. O novo poste pesa cerca de 100 quilos – 10% do peso do poste normal – e pode ser carregado por duas pessoas. Esses postes flutuam na água e podem ser transportados até em canoas, o que facilita muito o deslocamento em áreas de difícil acesso, principalmente da região Amazônica.
Segundo o Ministério, várias nações africanas se interessam pelo modelo brasileiro de inclusão energética. Moçambique e Zâmbia foram os primeiros países a firmarem acordo de cooperação com o governo brasileiro. Angola, Quênia e Nigéria enviaram missões técnicas para conhecer o programa.
O ‘Luz Para Todos’ serviu de inspiração, assim como outras iniciativas, para o projeto Energia Sustentável Para Todos (SE4ALL) instituído pelo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban-Ki Moon. O objetivo é mobilizar governos e instituições privadas para proporcionar o acesso à energia a cerca de 1,4 bilhão de pessoas no mundo, principalmente na África, Ásia e América Central.
Iniciativas africanas
No começo deste mês, a Corporação Financeira Internacional (IFC, em inglês) vinculada ao Banco Mundial, junto com o grupo Électricité de France (EDF), firmaram acordo de cooperação para desenvolver alternativas para eletrificação fora da rede principal. A meta é levar energia para meio milhão de pessoas que vivem na área rural de países emergentes, principalmente os da África subsaariana.
Para o diretor do EDF para África, Edouard Dahomé, a eletricidade é um recurso vital sem o qual nenhum desenvolvimento real é possível. “O acesso à energia nas populações rurais ─ que costumam ficar em maior desvantagem ─ permite a redução da pobreza por meio do desenvolvimento de atividades que geram renda, além de promover a educação, saúde, acesso à água, entre outros”.
Algumas nações africanas já deram o passo inicial para expandir suas redes elétricas. África do Sul, Botsuana, Nigéria e Uganda já possuem Programas de Eletrificação Rural.
Botsuaneses com painéis solares
Vila em Botsuana contemplada com o programa Solar PV Project Foto: UNDP
Vila em Botsuana contemplada com o programa Solar PV Project
Foto: UNDP
Em Botsuana um projeto do governo em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) pretende levar energia proveniente de painéis solares para as comunidades longe dos centros urbanos. Segundo dados do governo botsuanês, 17% da população rural tinha acesso ao serviço de energia elétrica, comparada com os 36% da população urbana.
Em 2012, 58% da população do país tinha acesso a energia e a expectativa é que a eletricidade chegue a 80% do total da população até 2016. Os painéis são a solução para driblar a barreira do elevado custo da transmissão, já que grande parte da energia é comprada de países vizinhos, como a África do Sul.
Conhecido como o Solar PV Project, a iniciativa orçada em US$ 6 milhões pretende levar eletricidade para 65 mil famílias e substituir a utilização de velas e lenhas em pelo menos 88 aldeias de Botsuana que estão fora da rede elétrica principal.
Rumo ao acesso universal
Elevação de postes no programa Ugandês de eletrificação rural Foto: Governo de Uganda
Elevação de postes no programa Ugandês de eletrificação rural
Foto: Governo de Uganda
Em Uganda, onde menos de 5% da população rural possui acesso à eletricidade, o governo criou o Plano e Estratégia para Eletrificação Rural, que compreende o período entre 2013 e 2022. A meta é alcançar o acesso universal à energia até 2040 e substituir o uso do querosene nos lares ugandenses até 2030.
A diferença do projeto ugandês para os demais africanos é o financiamento, o gerenciamento e o planejamento que ficam praticamente no controle do governo. Mas a iniciativa conta com suporte de investidores para a criação do fundo, que viabilizará a implementação do projeto orçado em US$ 950 milhões.
FONTE: http://www.brazilafrica.com/um-luz-para-todos-africano/

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