domingo, 31 de agosto de 2014

A África no centro das atenções do mundo

Desde 2000, a África cresce a uma taxa média de 5% ao ano. O continente tem cerca de 1 bilhão de habitantes, 500 milhões deles com menos de 25 anos. Hoje, já há estimativas de que perto de 300 milhões de africanos pertencem à classe média. Ao compartilhar suas experiências nos governos Lula e Dilma, o Brasil estabeleceu um diferencial muito particular em relação aos demais países que investem hoje no continente africano 

A Cúpula de Líderes Estados Unidos-África realizada em Washington

 “Não olhamos para a África somente por conta de seus recursos naturais. Nós reconhecemos a África por conta de seus grandes recursos: sua gente, seu talento, seu potencial. Não queremos apenas extrair minerais para o nosso crescimento, queremos construir verdadeiras alianças para criar empregos e oportunidades para todos os nossos povos. Esse é o tipo de aliança que os Estados Unidos oferecem.”
Com essas palavras, o presidente Barack Obama saudou os presentes à Cúpula de Líderes Estados Unidos-África, realizada em Washington, no início de agosto. Foi o maior evento voltado para a África de toda a história do governo norte-americano. Quase todas as cinquenta delegações africanas foram chefiadas pelo respectivo chefe de governo ou de Estado.

Com essa iniciativa, os Estados Unidos tentam recuperar um espaço perdido. É o mesmo movimento que fazem França e Grã-Bretanha, antigos colonizadores de mais da metade daquele continente. Afinal, desde que estourou a crise econômica internacional, em 2008, são os chineses os principais parceiros comerciais dos africanos.
Reuniões de cúpula como essa, os chineses já fizeram cinco. A cada três anos, desde 2000, eles promovem a Conferência Ministerial do Fórum sobre a Cooperação Sino-Africana, quando reúnem chefes de governo e ministros dos 51 países africanos onde a China mantém embaixadas.

A mais recente ocorreu em julho de 2012, em Pequim. Na resolução final da conferência está escrito: “Acreditamos que a cooperação China-África, incorporando a solidariedade e o apoio mútuo entre os países em desenvolvimento, é marcada pela igualdade, pelo benefício mútuo, pela abertura e pela inclusão, e por isso merece compreensão e o apoio da comunidade internacional. Nós apelamos aos parceiros internacionais de desenvolvimento para melhorar a sua complementaridade e trabalhar em uma interação positiva na África, para contribuir conjuntamente para a paz e o desenvolvimento do continente”.
Ou seja, em tempos diferentes, chineses e americanos transmitiam iguais mensagens e deixavam explícito o quanto a África é estratégica para ambos.  

Ao tomar conhecimento dos resultados da Cúpula EUA-África, o ex-presidente Lula saudou o presidente Obama e afirmou: “Foi um evento dos mais representativos e significativos, ao deixar clara a importância da África para o progresso de todo o planeta e o engajamento dos Estados Unidos com esse objetivo. O desenvolvimento dos países mais pobres é a saída para a crise econômica internacional e o caminho para a resolução dos problemas mais sérios da humanidade. Fiquei especialmente satisfeito porque esse encontro vai reforçar a luta que sempre travamos para estreitar as relações do Brasil com a África neste seu momento especial de construção da paz, da democracia e do desenvolvimento social”.

Falava isso com a convicção de quem, em seu governo, havia operado uma mudança radical na política de relações internacionais do Brasil. “Paramos de olhar só para cima e começamos a olhar mais para os lados, para os nossos vizinhos”, reiterava Lula em seus discursos para defender o estreitamento dos laços com a América do Sul e a África e modificar a política tradicional de subordinação do Brasil aos interesses de Estados Unidos e Europa.
Como uma das consequências dessa estratégia, mantida pela presidenta Dilma Rousseff, Lula terminou seu governo reconhecido como a principal liderança latino-americana e uma referência central para governantes e sociedades africanas.

FONTE: http://www.teoriaedebate.org.br/materias/internacional/africa-no-centro-das-atencoes-do-mundo

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