sábado, 18 de outubro de 2014

Senegaleses em Pernambuco


De cada quatro estrangeiros que pediram refúgio ao governo brasileiro este ano, um veio do Senegal. Muitos estão vivendo em Pernambuco.

Nas ruas do Recife, a conversa dos imigrantes chama a atenção.  Eles são do Senegal, país africano onde se fala francês. No começo todos tinham muita dificuldade para se comunicar.

“Era muito complicado, mas agora, graças a Deus eles já estão falando agora que dá pra gente entender”, fala a vendedora ambulante Marizete Gonçalves da Silva.

Bassirom Mbpye viajou 3.200 quilômetros da África até o Recife. O sonho dele é trabalhar, juntar dinheiro e ajudar a família. “Se eu ganhar R$ 700 dá para guardar R$ 600. Dá para juntar muito dinheiro”, diz.

Alguns senegaleses entram no país de forma legal, com visto de turista. Outros chegam pelas fronteiras. Em comum, a mesma estratégia: todos pedem refúgio e enquanto o processo não é julgado pelo Conselho Nacional de Refugiados, eles não podem ser deportados e vão ganhando tempo.

“Se dentro deste ano não houver uma decisão, se prorroga de seis em seis meses até uma decisão final”, fala o supervisor regional da Polícia Federal, Marcello Diniz Cordeiro.

Muitos senegaleses chegaram ao Brasil pelo Peru. Alguns mentem sobre sua origem, temendo ser barrados por causa da epidemia do ebola, na África. Mas até agora só houve um caso da doença no Senegal.

Segundo a Polícia Federal, todos os dias 40 estrangeiros cruzam a fronteira no Acre. Em todo o Brasil, só este ano 3.900 imigrantes solicitaram refúgio ao governo – 1.063 pedidos foram de senegaleses. O refúgio só é concedido quando o estrangeiro prova que sofreu perseguição política, étnica ou religiosa no país de origem.

“É uma resposta caso a caso, feita de forma quase artesanal”, fala o diretor do departamento de estrangeiros do Ministério da Justiça, João Granja.

No Recife, os senegaleses já criaram uma associação que funciona em uma casa, onde também moram quatro deles. Apesar da vida dura, eles sonham em ficar no país para sempre.

“Todo mundo sabe que o povo de Pernambuco é o mais hospitaleiro”, explica o diretor da associação Ibrahim Gem.

O único caso de ebola registrado no Senegal foi de uma pessoa que morava na Guiné, um dos países mais afetados pela atual epidemia.

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