sábado, 8 de novembro de 2014

Encontro anual da Anpocs debate temas atuais

Presidente da Anpocs faz balanço do 38ª Encontro Anual da entidade
O 38º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) aconteceu entre os dias 27 e 31 de outubro em Caxambu, Minas Gerais. Considerado o maior fórum de discussão da agenda nacional e internacional do país, a atividade debateu temas relacionados à Copa do Mundo, eleições presidenciais, 50 anos do golpe militar, manifestações sociais, conjuntura política, segurança pública e cultura digital.
Para o presidente da Anpocs, na gestão 2013-2014, Gustavo Lins Ribeiro, as reuniões anuais da entidade são momentos cruciais de articulação interdisciplinar entre pesquisadores que, frequentemente, criam os marcos que serão explorados por diversos anos. Segundo ele, o encontro deste ano inovou ao apresentar uma “Conversa com Autor Latino-Americano”, evento destinado a aumentar o conhecimento sobre a produção do nosso continente. Além disso, há um foco privilegiado sobre políticas de ciência, tecnologia e inovação para as Ciências Sociais.
O encontro contou ainda com a presença de importantes pensadores acadêmicos brasileiros e renomados conferencistas internacionais, que abordaram os assuntos sob o viés da Sociologia, da Ciência Política e da Antropologia.
Em entrevista ao Jornal da Ciência, Ribeiro, que é professor titular do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília e vice-presidente da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES), faz um balanço do 38º Encontro Anual da Anpocs.
Jornal da Ciência – Que balanço o senhor faz da 38º Encontro Anual da Anpocs?
Gustavo Lins Ribeiro – O Encontro foi extremamente exitoso em todos os planos. Os participantes ficaram muito satisfeitos com a densidade acadêmica e com a organização. Houve um crescimento significativo na presença de estudantes de pós-graduação o que mostra a capacidade da Anpocs de ser também um fórum para discussão dos jovens cientistas sociais. Além disso, houve uma grande repercussão na mídia em especial por ter ocorrido logo após as eleições nacionais.

JC – Nesta edição o encontro inova apresentando uma “Conversa com Autor Latino-Americano”. O que levou a este tema? Como surgiu essa ideia? Quem foi o autor? Como ocorreu esta atividade.
GLR - A ideia da “Conversa com Autor Latino-Americano” resulta do entendimento da diretoria que agora encerrou o seu mandato da importância de investir no cosmopolitismo das ciências sociais brasileiras e aprofundar sua internacionalização de forma heterodoxa. No ano passado, fizemos um encontro com cerca de 30 pesquisadores de todo o BRICS. Este ano, demos início a estas conversas com o colega Alejandro Grimson, argentino, que escreveu um livro de alto impacto no seu país intitulado “Mitomanias Argentinas” e deu uma conferência sobre o assunto.

JC- Neste ano de eleições e Copa do Mundo no Brasil, a Anpocs promoveu diversos debates acerca desses temas, além de discussões que abrangeram as múltiplas áreas de estudos da Sociologia, Ciência Política e Antropologia. O que o senhor destacaria? E, por quê?
GLR - A imprensa geralmente destaca os assuntos de conjuntura política que são debatidos na Anpocs. Mas o evento é extremamente rico e cobre um amplo leque da sofisticada e diversa produção brasileira nas áreas de antropologia, ciências políticas, relações internacionais e sociologia. Por sua importância para o futuro das ciências sociais, vou destacar os debates sobre política científica para as humanidades e sobre a necessidade de se estabelecer uma resolução específica sobre ética na pesquisa nas ciências humanas e sociais diferente daquela que hoje prevalece na CONEP do Ministério da Saúde.

JC- Dentro do momento atual, as discussões foram importantes?
GLR - As reuniões anuais são de extrema importância para a socialização e disseminação da produção que é feita no Brasil, para permitir novos intercâmbios entre pesquisadores, muitas vezes estabelecendo novos grupos e pautas, assim como para abrir espaços interdisciplinares de diálogo e cooperação. Com a cobertura da imprensa e com as moções que são aprovadas pela assembleia também devolvemos à sociedade parte do que os cientistas sociais produzem, sendo uma contribuição muitas vezes inestimável.

JC- E a próxima edição? Já tem data, local, tema?
GLR - Não. Isto será definido nos próximos meses.

JC- O evento contou com convidados internacionais. Isso mostra que o Brasil está cada vez mais dentro do roteiro dos eventos científicos internacionais? O que tem levado a isso?
GLR - As ciências sociais brasileiras, por sua alta qualidade e pela existência de uma massa crítica no país, tem cada vez mais se destacado no exterior. Temos vários colegas envolvidos na direção das principais associações das disciplinas que formam as ciências sociais. As redes que os pesquisadores tecem internacionalmente são muitas e diversificadas. Aumentam as publicações em línguas estrangeiras. A presença de colegas de outros países, além de ser tradicional na Anpocs, relaciona-se com a crescente internacionalização das ciências sociais no Brasil.

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/encontro-anual-da-anpocs-debate-temas-atuais/

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