sábado, 31 de janeiro de 2015

Fabiana desabafa contra os racistas, mas infelizmente não vai à justiça

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Uma mulher negra, jogadora de vôlei, mundialmente  famosa, é agredida num ginásio de esporte.  Torcedores se manifestam e denunciam o ato de racismo. Um fato que faz parte do cotidiano de milhões de mulheres negras no Brasil. As pessoas ficam indignadas e até  manifestam solidariedade, mas isso é pouco.
O racista é identificado mas, infelizmente, a vítima não presta queixa. A razão é porque pode “dar mais trabalho”, “um problema a mais”…A jogadora acredita que não deveria ser criado um “transtorno extra” para as vítimas do racismo.
“Refleti muito sobre divulgar ou não, mas penso que falar sobre o racismo ajuda a colocar em discussão o mundo em que vivemos e queremos para nossos filhos. Eu não preciso ser respeitada por ser bicampeã olímpica ou por títulos que conquistei, isso é besteira! Eu exijo respeito por ser Fabiana Marcelino Claudino, cidadã, um ser humano. A realidade me mostra que não fui a primeira e nem serei a última a sofrer atos racistas, mas jamais poderia me omitir. Não cabe mais tolerarmos preconceitos em pleno século XXI“, disse Fabiana Marcelino Claudino.
Fabiana conta que procurou ouvir mais do que falar. Conversou pelo telefone com os pais, o aposentado Vital Alberto Claudino, de 67 anos, e a dona de casa Maria do Carmo Marcelino Claudino. Eles lhe deram vários conselhos, entre eles, que não deveria procurar um problema a mais ao vir a Belo Horizonte para registrar a queixa.
Esse ocorrido é o retrato de milhares de vitimas de racismo que decidem não ir à Justiça, como descrevi em meu livro  “Direitos Humanos e as praticas do racismo”, e  pude constatar que é mais comum do que se imagina.
Fabiana acredita , assim como os seus familiares, que esse momento vai passar. E irão poder tocar a vida. Não é verdade. O racismo deixa marcas para vida toda. Ninguém esquece, muito menos quem é vítima de um ato tão violento como o racismo.
Ela deveria, sim, ter ido à Justiça. Por que? Muito mais por ela, por sua história de vida e  o futuro daqueles que querem um País sem racismo. Não adianta, pode ser quem você imagina que é, não está imune ao racismo estrutural em nossa sociedade.
A luta contra o racismo é a nossa unica saída.
FONTE: https://ivairs.wordpress.com/

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