sábado, 6 de junho de 2015

Europa quer as riquezas da África, mas não as pessoas



Milhares de pessoas morrem todos os anos em sua tentativa de chegar à Europa. Pessoas fugindo da miséria, à qual o saque perpetrado pelo GRANDE CAPITAL transnacional submete a África. Não vão rumo ao "sonho europeu”, fogem do pesadelo no qual as transnacionais transformaram a África; seguem a rota que, previamente, seguiram as imensas riquezas extraídas dos seus países. Porém, a União Europeia (EU) quer as riquezas da África, mas não as pessoas. A ditadura do capital obriga as pessoas a empreenderem êxodos terríveis, em condições de perigo extremas.
Na madrugada do último dia 19 de abril 2015, um barco proveniente da Líbia, com mais de 900 pessoas migrantes afundou no estreito da Sicília, a cerca 110 quilômetros da costa. A Promotoria de Catania assinalou que se estima que poderão ter morrido aproximadamente 950 pessoas; os procuradores expressam que "ainda é impossível determinar, com precisão, o número de mortes" (1). Foram encontrados 24 cadáveres e somente 28 sobreviventes. Os guardas costeiros italianos tinham recebido uma chamada de socorro à noite, avisando-os de que o barco se encontrava em perigo. Mas, segundo informaram os guardas costeiros, quando se iniciou a operação de resgate, o barco naufragou porque todos os que iam a bordo se colocaram do mesmo lado no desespero por sobreviverem (2).
No mesmo mês de abril de 2015, mais de 400 pessoas migrantes desapareceram e cerca de 150 sobreviveram, após naufragarem em sua viagem clandestina rumo à Itália, no último dia 15. O fato é que o Mediterrâneo se converte em uma imensa tumba. No total, cerca de 90 mil pessoas cruzaram a Europa entre 1º de julho e 30 de setembro de 2014, e pelo menos 2.200 perderam a vida. No trimestre anterior, foram 75 mil pessoas e 800 mortes, segundo a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

Estas tragédias representam um longo sofrimento para os familiares das vítimas; e, por outro lado, uma longa sucessão de malabarismos midiáticos para os políticos da UE, que saem a tentar tapar o sol com a peneira. Querem esconder que o saque e as "guerras humanitárias”, perpetradas pela UE e pelos Estados Unidos contra a África, têm como lógica consequência o êxodo massivo. Saem os políticos, os representantes das instituições internacionais, cada qual mais "caridoso”, cada qual mais "legalista”, cada qual mais ufanista a propor soluções. E cada solução é menos solução do que a anterior. Concentram suas diatribes contra as supostas "máfias” de transporte de pessoas, quando é bem sabido que, em muitas ocasiões, o suposto "mafioso” não é outra coisa que um pescador que já não pode sobreviver da pesca em um mar saqueado pelo arrasto das grandes transnacionais, reconvertido em condutor de embarcações que, clandestinamente, tentam passar as fronteiras da Europa fortaleza. Inclusive, se bem pode ser certo que muitos transportadores dessas viagens clandestinas se aproveitem das pessoas em situação de êxodo, esses transportadores não podem ser tidos como os responsáveis por esta tragédia, por estes crimes de Lesa Humanidade. A menos que se queiram ocultar os verdadeiros responsáveis. Alguns saem, inclusive, a dizer que é necessário bombardear as embarcações nas costas de saída: o fascismo da União Europeia deixa completamente cair suas máscaras.
Entre os sobreviventes da tragédia de 19 de abril, os meios já localizaram dois homens que lhes servem de bode expiatório: dois membros da tripulação serão o alvo de todo o ódio; bodes expiatórios perfeitos para ocultar os verdadeiros responsáveis por esses crimes contra a humanidade. São acusados de homicídio múltiplo e os meios do GRANDE CAPITAL tentam responsabilizar pela contínua tragédia do Mediterrâneo e do Atlântico supostas "máfias de tráfico de pessoas”.
Esta tragédia da morte atroz de centenas de pessoas provenientes da Líbia é também uma das consequências da invasão contra a Líbia, perpetrada pelos "aliados” e sua Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte], em 2011.
A invasão da Líbia foi uma intervenção a serviço do GRANDE CAPITAL Transnacional, que adiantou a Otan com a ajuda de mercenários paramilitares injetados na Líbia a partir dos serviços secretos europeus e estadunidenses. Esta invasão se articulou com a total cumplicidade do aparato midiático do capitalismo transnacional, o quais os paramilitares mercenários os chamavam de "rebeldes" com a finalidade de justificar a invasão e o genocídio contra o povo líbio, e seu governo de então, o de Muammar Al Gaddafi. Durante o governo de Gaddafi, a Líbia era o país com o maior nível de vida de toda a África; razão pela qual, na Líbia, se estabeleceram muitíssimos africanos de outras regiões da África. Estes africanos, hoje, se somam aos que tentam chegar à Europa fortaleza: a essa UE que saqueia as riquezas da África, mas depois não quer as pessoas.
A Líbia foi o alvo da cobiça capitalista por várias razões: tem em seu solo um petróleo dos mais limpos do mundo e um potencial produtivo estimado em mais de 3 milhões de barris diários. Desde 2009, Gaddafi adiantava um plano para nacionalizar o petróleo líbio. O plano de nacionalização foi impedido por opositores no mesmo seio do governo. Muitos desses opositores à nacionalização se fingiram de "chefes rebeldes” a serviço dos interesses das transnacionais.
Ademais a Líbia possui uma imensa RESERVA hídrica subterrânea, estimada em 35.000 quilômetros cúbicos de água, que faz parte do Sistema Aquífero Núbio de Arenisca (NSAS), a maior RESERVA fóssil de água do mundo. Nos anos 1980, a Líbia iniciou um projeto em grande escala de provisionamento de água: O Grande Rio Artificial da Líbia, considerado um dos maiores projetos de engenharia, que proveria água dos aquíferos fósseis. O sistema uma vez finalizado cobriria a Líbia, Egito, Sudão e Chade, e potencializaria assim a segurança alimentar de uma região marcada pela escassez de água para cultivos. Isso evitaria que estes países recorressem aos fundos do FMI: algo que se opunha à aspiração do monopólio global dos recursos hídricos e alimentares por parte do Ocidente.
Por outro lado, a Líbia possuía 200 bilhões de dólares de RESERVAS internacionais que foram confiscadas por seus agressores. Estes foram os motivos do crime contra a Líbia.
Depois da agressão imperialista, a Líbia ficou destruída, sem infraestrutura aquífera nem viária, nem escolas, nem hospitais, já que até estes foram bombardeados. Antes da invasão imperialista, na Líbia, as mulheres viviam com muito mais liberdade do que em outros países da região; após a invasão, una das primeiras medidas do governo de mercenários apoiado pela Otan foi decretar a Lei da Sharia, atrozmente cruel com as mulheres, tudo sob os aplausos da UE e dos EUA. Outra das consequências da invasão à Líbia é o surgimento de grupos de terrorismo paramilitar em diferentes países da região: os mercenários empregados pelos serviços secretos europeus e estadunidenses se reciclam em outras operações de terror. Destas operações surgiu o Estado Islâmico.
A Líbia foi torturada pelo que os falsos meios tiveram o cinismo de chamar "bombardeios humanitários". Uma aberrante operação de neocolonialismo, com vistas a se apropriarem dos imensos recursos petroleiros e aquíferos da Líbia. As transnacionais inflaram suas fortunas com base na tortura do povo líbio.
O capitalismo é o responsável por essas tragédias e, concretamente, os grandes capitalistas que lucram com o suor alheio e o saque do planeta: eles são os criminosos de Lesa Humanidade. Esses que os meios mostrarão como "empresários de êxito”. 85 multimilionários possuem uma riqueza igual à riqueza que compartilham 3,570 bilhões de pessoas, que sobrevivem exploradas em infernais buracos, tendo que vender seus órgãos, tendo que trabalhar em fábricas que as sepultam vivas, tendo que prostituírem-se desde a infância, ou tendo que empenharem-se em êxodos terríveis, cuja culminação não será outra que a morte por afogamento, ou pelo afogamento em vida, tendo que trabalharem por migalhas na Europa fortaleza, em caso de que sobrevivam à viagem.
Hoje, são milhares de homens jovens, mulheres e crianças, que são tragados pelo mar. Um mar cujas ondas vão e vêm entre a África e a Europa, testemunhas silenciosas do genocídio capitalista, lambendo as praias dos países saqueados e também aquelas praias que são as portas do cinismo mais absoluto.
FONTE: http://www.ceert.org.br/acontece/noticia.php?id=6851

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