sábado, 22 de agosto de 2015

Mestra Maria Laurinda Adão, de Cachoeiro, dá depoimento sobre a escravidão negra para a Comissão Nacional de Verdade da Escravidão no Brasil

A Mestra é referência cultural e foi ouvida no plenário da Assembleia Legislativa representando os ativistas da causa negra e as religiões de matrizes afro-brasileiras do Sul

A Mestra cobra do Estado adoção de políticas afirmativas para o povo negro

Uma audiência pública marcou a noite de terça-feira (18) na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) com a discussão do processo histórico da escravidão negra no Espírito Santo. A iniciativa foi da Comissão de Cidadania da Ales, que está apoiando os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil, criada recentemente pela Ordem dos Advogados no Brasil (OAB).

O Sul do Estado esteve representado pela Mestra Maria Laurinda Adão, de Cachoeiro de Itapemirim, que relatou as torturas que o escravo Adão, seu bisavô, sofria antes de fugir e fundar o quilombo de Monte Alegre, na cidade. “Ele apanhava e ficava preso ao tronco, mas ele também tinha mandinga e conseguia fugir, e, foi numa dessas fugas, que ele fundou nosso quilombo”, destacou.

O objetivo da audiência, de acordo com os coordenadores do movimento, é promover um resgate histórico do processo de escravidão com a finalidade de responsabilizar o Estado brasileiro e promover reparações decorrentes das opressões, torturas, prejuízos materiais e exclusão social a que o negro foi submetido ao longo da história no Brasil. No Espírito Santo o movimento é coordenado pela Subcomissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra, instituída no âmbito da OAB/ES. 
Para Genildo Coelho Hautequestt Filho, gestor de projetos culturais da Associação de Folclore de Cachoeiro de Itapemirim, a Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil certamente revelará as atrocidades que foram cometidas contra o povo negro que não constam em nossos livros de história. “Ao revelar nosso passado sem filtros, nosso povo, nesse caso a Mestra Maria Laurinda Adão que aqui nos representa, poderá responsabilizar o Estado exigindo dele adoção de políticas afirmativas para nosso povo negro”, disse o gestor.
 


O presidente da subcomissão, José Roberto de Andrade, explicou que a Comissão Nacional da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil foi proposta durante a XXII Conferência Nacional dos Advogados, realizada no Rio de Janeiro, em outubro de 2014. “Esse movimento nasce com a função de fazer o resgate histórico desse período, a aferição de responsabilidades e a demonstração da importância das ações de afirmação como meio de reparação à população negra. Queremos não apenas um resgate histórico, mas que haja reparações materiais e institucionais do Estado brasileiro às consequências negativas sofridas pelo povo negro ao longo dos séculos no Brasil”. 

Exposição
Maria Laurinda Adão é mestra de caxambu da comunidade quilombola de Monte Alegre (Cachoeiro de Itapemirim), mãe de santo, coveira, parteira, militante de vários movimentos sociais, líder comunitária, além de mãe e avó. Teve sua vida representada no documentário, no livro e na exposição intitulados “Todas as faces de Maria”. Esta última, exibida no Museu Capixaba do Negro (Mucane), em Vitória, em 2014, foi sucesso de público e de crítica. Em novembro a exposição seguirá para Santiago, no Chile, integrando o congresso “El universo afro en discusión: literatura, cultura e identidad”, promovido pelo Centro Cultural Brasil-Chile, instituição da Embaixada do Brasil na capital chilena.
FONTE: http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2015/08/mestra-maria-laurinda-adao-de-cachoeiro-da-depoimento-sobre-a-escravidao-negra-para-a-comissao-nacional-de-verdade-da-escravidao-no-brasil.html

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