quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Brasil: Cabo-verdianos vencem preconceito e são exemplos de integração no Ceará

Jovens cabo-verdianos são apresentados pelo portal Geledés como exemplo de africanos que estão a conseguir integrar-se no Brasil. Eveline Amado, de 21 anos, e Andy Monroy, de 26 anos, são dois cabo-verdianos que rumaram ao Ceará, nordeste do Brasil, para fazer a formação superior. Tiveram que superar desafios, vencer preconceitos e agora pretendem contribuir para o desenvolvimento e a cultura daquele país.
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Conforme o portal Geledés, organização política de mulheres negras contra o racismo, Eveline Amado, natural de Cabo Verde, chegou ao Brasil há dois anos, através do Programa de Convénio de Graduação (PEC-G). Está a licenciar-se em Arquitectura e Urbanismo na Universidade Federal do Ceará (UFC).

De acordo com Eveline, a sua adaptação foi tranquila. “Escolhi o Nordeste porque o clima é parecido com o que estava acostumada”, relata Eveline, confessando que no início ficou um pouco assustada apenas com a quantidade de pessoas que circulam nas ruas. “É muita gente”, ri.

“Algumas pessoas costumam estranhar a nossa cor. Nunca me disseram algo preconceituoso, (mas) várias vezes entrei em lojas e os seguranças seguiram os meus passos. Ou, quando entro nos autocarros, todos olham como se fosse um extraterrestre”, lamenta. Contratempos à parte, Eveline elogia o turismo local. “Percebo que aqui tem muitas potencialidades que ainda são pouco exploradas”, opina.
No futuro, a jovem pretende especializar-se na sua área e estabilizar a sua vida profissional no Estado. “O mercado de trabalho e a profissão de arquitecto aqui são mais amplos e valorizados do que no meu país [Cabo Verde]”, explica.

Andy Monroy, de 26 anos, também é de Cabo Verde. Chegou ao Ceará com 18 anos e com um único propósito: estudar. Casado com uma brasileira e formado pela UFC em Publicidade e Propaganda, o jovem também fez parte do programa de intercâmbio PEC-G e trabalha como designer gráfico.

Adaptar-se ao Ceará foi fácil, segundo Andy, mas estabilizar-se na cidade não foi de todo tranquilo. O preconceito por ser negro e estrangeiro apareceu nos primeiros dois meses que chegou a Fortaleza. “O racismo é diário”, revela.

“Cheguei da faculdade, desci do autocarro em direcção ao prédio onde morava, na Varjota. Uma mulher que morava no mesmo condomínio assustou-se quando me aproximei do portão, abriu a porta rapidamente e fechou. Não pensei que fosse comigo. Abri a porta calmamente e fui em direcção ao elevador. Ela não sabia se olhava para o chão ou para o céu, absorta na sua ignorância. Com o passar do tempo, vi que o racismo seria algo desafiador. E foi”, relata.

A cena musical da cidade é o maior atractivo para o designer cabo-verdiano que diz sempre estar em apresentações no Centro Cultural Dragão do Mar, na Praia de Iracema e “no Benfica, bairro do meu coração”, completa. Andy já participou num documentário que trata a questão do racismo na cidade de Fortaleza sob a óptica de quatro imigrantes africanos.

De acordo com a Polícia Federal, 2.167 africanos possuem registo de residência no Ceará. São oriundos de Cabo Verde, Angola, Congo, Gana, Moçambique, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, São Tomé e Príncipe, e Guiné-Bissau, este último com maior número de imigrantes (cerca de 1.116).

FONTE: http://www.mdc.gov.cv/index.php/arquivo/1472-brasil-cabo-verdianos-vencem-preconceito-e-sao-exemplos-de-integracao-no-ceara

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