sábado, 19 de setembro de 2015

Origem e destino dos estudantes africanos

A presença de estudantes do continente africano no território brasileiro tem se intensificado nas últimas décadas. Principalmente de alunos oriundos de países lusófonos: Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe, com os quais o Brasil vem produzindo e mantendo programas de ajuda e de cooperação, desde meados de 2004.
São exemplos práticos: o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) e o Programa de Cooperação entre universidades/faculdades particulares do estado do Ceará e governos dos países africanos e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). As ações envolvem treinamento e qualificação profissional, e o documento firmado torna possíveis estudos e pesquisas científicas nas nações envolvidas, estimulando a troca de informações entre elas.

Os programas abrigam um número considerável de estudantes africanos em todo o Estado, mas não estão preparados logisticamente para receber os estudantes, pois não oferecem acomodação aos africanos em seus campi e não colaboram com os processos burocráticos: aluguel de casas e trâmites de documentação nas instituições de ensino e Polícia Federal. Os dados da Delegacia de Polícia de Migração mostram 2.023 estudantes africanos com registro no Ceará. Guiné-Bissau lidera, com 1.072 estudantes; Cabo-Verde possui 647; São Tomé e Príncipe, 130; Angola, 121; Moçambique, 53; e Nigéria e Kenya, 1. Assim, matriculados: Fortaleza (70%), Redenção (25%), Sobral (3%) e Barbalha (2%).

Estrangeiros, os estudantes deparam com as dificuldades do novo e desafiante cenário: a adaptação à vida em outra cultura e longe da família. Assumem despesas de moradia, alimentação e material didático para estudos. Sem apoio institucional para regularização do visto no País, também sofrem com a discriminação racial e o preconceito. Os desafios, porém, possuem peso menor diante do “belo sonho de obter o grau de nível superior” e voltar aos países de origem para usar o conhecimento aqui adquirido, contribuindo com o desenvolvimento das suas nações.

Assim como o líder imortal Nelson Mandela acredita que as dificuldades enfrentadas durante uma caminhada não podem ser maiores que os objetivos traçados, essa luz serviu de exemplo para estudantes que acreditaram, que, por mais difícil que seja a situação, é possível alcançar os objetivos traçados. “Algumas coisas sempre parecem impossíveis, até que sejam realizadas.” (Nelson Mandela)
Gino Pereira
pereiragino@yahoo.com.br
De nacionalidade guineense, mestrando em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), aluno vinculado ao Laboratório de Estudos Agrários e Territoriais (LEAT /UFC) 
 
FONTE: http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2015/09/16/noticiasjornalopiniao,3504621/origem-e-destino-dos-estudantes-africanos.shtml#.Vfl7nyOVUNI.facebook

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