domingo, 27 de setembro de 2015

UFPE: africanos sofrem preconceito

Estudantes relataram que são excluídos pelos demais alunos por causa da cor


Em seminários é difícil colegas brasileiros fazerem parte do seu grupo, fogem da gente achando que irão ficar com uma nota negativa. Geralmente acabamos sozinhos''. Esse é um dos depoimentos de universitários africanos que estudam na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Vários relatos semelhantes foram reunidos pelo Vídeo do Grupo de Estudos e Pesquisas em Autobiografias, Racismos e Antirracismos na Educação (Gepar), da UFPE, para alertar sobre o problema. Infelizmente, o racismo existe. A maioria das demonstrações disso vieram de pessoas de cursos de humanas, que aparentemente esqueceram o sentido desta palavra. 
Significado de Humana
Humana: humaniza; humanizas; humanize.
Humanar: v.t.d. e v.pron. Atribuir caráter humano a; conceder ou possuir condição humana.
Tornar-se benéfico; fazer com que seja tolerável; humanizar-se.
Forma mais utilizada e preferencial: humanizar.
(Etm. do latim: humanare).




Natural de Guiné –Bissau, Lilian Mendonça, 23 anos, mora há três em Pernambuco
O vídeo “Retrato sem retoques”, produzido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Autobiografias, Racismos e Antirracismos na Educação (Gepar), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para alertar sobre o preconceito sofrido por estudantes africanos causou indignação. Nos relatos, intercambistas narram a exclusão enfrentada em sala de aula e nos corredores da universidade. Para eles, é difícil fazer amigos. Os africanos andam em grupo, estudam e fazem trabalhos sozinhos. O caso será investigado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que aguarda o envio do vídeo para começar a colher depoimentos. Atualmente a UFPE tem 66 intercambistas africanos.

“Sou uma professora negra e os estudantes africanos se identificam comigo. Ouvi relatos assustadores e que vão além de acreditarem que os africanos não são inteligentes, que não têm capacidade. Eles relataram que os colegas de classe sequer se aproximam, temem que transmitam doenças contagiosas”, lamentou Auxiliadora Martins, 56, professora do Departamento de Pedagogia da UFPE e líder do Gepar .

Natural de Guiné –Bissau, Lilian Mendonça, 23 anos, mora há três em Pernambuco. Está no oitavo período do curso de Economia da UFPE e nunca teve companhia nos trabalhos da universidade. “Essa história de que o Brasil é um País receptivo, abraça todo mundo, não aconteceu comigo. Estou no oitavo semestre e não faço trabalhos em grupo. As pessoas não me aceitam”, desabafou Lilian, que está entre os alunos que relataram a discriminação sofrida na instituição.

Silvia Simbine, 21 anos, é natural de Moçambique e está há mais de dois anos no País. Veio como intercambista do curso de Psicologia da UFPE. Graças ao seu desempenho, conquistou uma bolsa de estudos. Mesmo assim, sente os olhares de preconceito. “Não falam diretamente, pois sabem que é crime. É velado. Sinto na pele. As pessoas me olham dos pés à cabeça”, contou.

A promotora do MPPE Maria Bernadete Figueiroa, que faz parte do Grupo de Trabalho - Racismo, lamentou o fato e ressaltou que os estudantes têm que ser respeitados. “É preciso que a universidade tenha uma politica interna, que tenha um olhar sobre essa situação. Isso é uma questão de racismo instituciona e a UFPE tem que saber lidar com a situação”, argumentou, adiantado que aguarda o vídeo com os relatos dos estudantes para formalizar a denúncia contra a instituição.

Responsável pelo Programa de Estudantes Estrangeiros da UFPE, Marcelo Renato Guerino disse que a universidade tem conhecimento de casos de preconceito em relação aos africanos. “Alguns foram denunciados. Mas, na maioria das vezes, os alunos não buscam a direção ou a coordenação da universidade para formalizar”. De acordo com ele, quando a denúncia é feita, o coordenador do curso em questão é informando para que tome uma posição imediata. No então, ressaltou que esses casos são “mais policiais, já que racismo é crime”. Marcelo acrescentou que a cada semestre são realizadas campanhas de combate ao racismo.

FONTE; http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/cotidiano/noticias/arqs/2015/09/0424.html

2 comentários:

  1. apostilas online de todos os cursos seja preparado..

    http://dinocezar.blogspot.com.br/2015/10/functiond-s-id-var-js-fjs-d_61.html

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