domingo, 20 de março de 2016

NEGRAS EMPODERADAS



Mulheres bem-sucedidas criam grupo para combater discriminação. A iniciativa da empresária dos Racionais MCs e da consulesa da França tem 50 participantes. Vivendo há três anos no Brasil, a consulesa francesa Alexandra Loras percebeu o quanto o racismo e a falta de oportunidades impactam na vida das mulheres negras. Muitas vezes de forma velada, algumas vezes, explícitas e violentas, as manifestações de menosprezo às mulheres negras no Brasil chocaram a diplomata, que decidiu criar um grupo de debates com mulheres negras bem-sucedidas e formadoras de opinião para debater o assunto, denunciar atos de racismo e resgatar o orgulho negro. O grupo foi batizado de "Negras Empoderadas" e a proposta é reunir argumentos e informações que sirvam de contraponto para a narrativa eurocentrista e estereótipos comuns na sociedade. "Discutimos todos os assuntos relacionados às mulheres negras. Temos advogadas, professoras, jornalistas, empresárias, todas contribuindo e dividindo experiências. Discutimos a questão da gravidez da jovem negra, a violência contra a mulher, a falta de referências para negros, os motivos que levam a mulher negra à criminalidade", disse. Umas das questões discutidas no grupo e que teve grande repercussão nas redes sociais foi a imagem da mulata, como objeto sexual exótico, na mídia durante o Carnaval. Pela primeira vez, o estereótipo foi questionado de forma contundente. 

Para Eliane, o surgimento de mais grupos como o dela, em defesa dos direitos das mulheres, está relacionado ao acesso à universidade. "Com o ProUni, mais mulheres negras estão fazendo faculdade, estão estudando, estão discutindo e se empoderando. A gente entra com uma cabeça na faculdade e sai com outra. A maioria dos estudantes calouros em universidades é de mulheres, a maioria negra. Daqui a quatro anos, teremos uma geração ainda maior de mulheres negras empoderadas", concluiu.

Por enquanto, o grupoé fechado e novas participantes são convidadas por indicação de quem já está na lista. Não existe, porém, um número definido de participantes. O foco é a qualidade do conteúdo compartilhado e multiplicado.


FONTE: Revista Raça Brasil

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