sábado, 2 de abril de 2016

Barrada em porta giratória de banco, professora goiana denuncia racismo

“Eu falava que não estava armada, que não era bandida e nenhum deles me explicava porque eu não podia entrar", contou a educadora


Uma educadora de Goiânia registrou um boletim de ocorrência por discriminação racial no 1º Distrito Policial da capital, na última quarta-feira (30). Correntista do Banco do Brasil há mais de 16 anos, Marilena da Silva contou que ela e o marido foram até a agência na Avenida Anhanguera, para descontar um cheque. Mas somente seu marido conseguiu passar pela porta giratória.
“Foi à primeira vez que estive nesta agência. Conheço todos os procedimentos para entrar em um banco. Tirei pulseiras e braceletes, mas mesmo assim não consegui entrar. Retirei todos os objetos da bolsa sem sucesso. Neste momento, o vigilante falou que poderia ser as argolas ou adereços da bolsa que estavam atrapalhando a entrada”, relatou.
A professora então tentou passar, mas, novamente, foi barrada e o vigilante orientou que ela tirasse o cinto que usava. Marilena se negou a tirar o acessório, pois o mesmo estava servindo de apoio para a saia. Enquanto a situação se desenrolava todos os outros clientes entraram sem serem revistados.
Marilena solicitou a presença do gerente que informou que som a bolsa ela não entraria. O gerente deu como alternativa que ela poderia deixar a bolsa do lado de fora e eles encontrariam uma pessoa para “vigiá-la” ou a levariam até o carro, como a professora não aceitou nenhuma das propostas o clima ficou tenso e em determinado momento o funcionário da agência mandou a educadora baixar a voz. “Eu falava que não estava armada, que não era bandida e nenhum deles me explicava porque eu não podia entrar. Só diziam sim, senhora ou não, senhora. A situação foi ficando delicada e em determinado momento, o gerente me mandou baixar o tom de voz”, contou.
Após 45 minutos de confusão, os dois lados acionaram a Polícia Militar. A professora e o seu marido foram conduzidos para o 1º Distrito Policial. “No distrito, o delegado me perguntou se eu tinha sofrido algum tipo de agressão verbal ou física. Contei que fui discriminada e não me contaram porque não pude entrar na agência. Eles só falaram que a porta giratória é quem decide quem entra. Mas é o controle? Quero as imagens do circuito de câmeras da agência”, questiona Marilena.
Em nota, a assessoria do Banco do Brasil informou que as agências são dotadas do sistema de segurança Porta Giratória com Detector de Metais (PGDM), que possuem sensores para a detecção de metais. Esse sistema bloqueia a porta automaticamente quando constatado volume de metal superior ao mínimo permitido, não havendo nenhuma ação do vigilante para travamento da porta.
Ainda de acordo com a nota, a Porta Giratória Detectora de Metais é um dos equipamentos de segurança exigidos pela Polícia Federal e consta de Plano de Segurança autorizado pela polícia. Seu uso visa à segurança de clientes, funcionários e público em geral.

FONTE: http://www.opopular.com.br/editorias/vida-urbana/barrada-em-porta-girat%C3%B3ria-de-banco-professora-goiana-denuncia-racismo-1.1062319

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